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Luiz Marins, Ph
A cultura de um povo é, de forma simplificada, formada pelo conjunto das
suas tradições (passado), das suas necessidades (presente) e das suas
aspirações (visão de futuro). Assim, conhecer a história (as tradições) pode
nos dar muitas explicações para o presente (as necessidades). Entender bem o
presente e o passado pode nos fazer compreender melhor o porquê das
aspirações (visão de futuro) daquele povo ou grupo humano. Novamente de
forma simplificada, é isso que a antropologia estuda, é isso que um
antropólogo faz. Daí a importância de conhecer e estudar a história. Ela
explica muito do que somos, de como agimos.
Ela nos faz compreender melhor o nosso conjunto de crenças e valores e o nosso modo de agir e reagir.
O mesmo conceito que serve para se entender melhor um povo, uma nação,
também serve para se compreender uma empresa e seus porquês.
O conjunto das tradições (passado), das necessidades (presente) e das
aspirações (visão de futuro) de uma empresa formará a sua "cultura". E a
cultura molda e explica a forma de ser, agir e reagir das pessoas e dos
grupos humanos.
Assim, por exemplo, uma empresa que hoje apresenta cuidados jurídicos
excessivos em tudo o que faz e é aparentemente "desconfiada" de tudo e para
tudo solicita documentos, assinaturas e burocracia e onde o Departamento
Jurídico tem um grande poder e evidência, pode ter esse comportamento
explicado pelos duros golpes que tenha sofrido da concorrência em seu
início, quando teve que enfrentar uma extensa batalha jurídica, vencida com
muito esforço e luta. Aquele passado e este presente podem condicionar a
empresa a uma visão de futuro sempre cautelosa, sempre precavida, sempre
olhando mais para os possíveis perigos e problemas jurídico-legais do que
para oportunidades arrojadas no marketing.
Um novo funcionário - que entre nessa empresa após anos de sua fundação -
dificilmente compreenderá aquele comportamento empresarial, se desconhecer e
desconsiderar a análise da sua história, de seu passado, dos motivos que
levaram a empresa a ter o comportamento e as atitudes que hoje apresenta. E
sem conhecer a história, o passado, poderá fazer críticas infundadas, por
pura ignorância. Deixará de compreender o presente e sem essa compreensão
com certeza não terá sucesso naquele ambiente. Será um estranho.
Compreendendo a história, o passado, o funcionário (novo ou antigo) poderá
até trabalhar para que essa forma de ser, agir e reagir da empresa seja
modificada, se inadequada ao presente. Poderá inclusive explicar melhor aos
próprios funcionários (novos e mesmo antigos), aos fornecedores e aos
clientes as razões de nosso comportamento, de nossos cuidados excessivos,
novamente de nosso modo de ser, agir e reagir.
Assim, antes de tecer comentários ou criticar, procure conhecer a história
de sua empresa, de seus acionistas, proprietários. Procure entender as
razões que fizeram a sua empresa ser como ela é e fazer as coisas como faz.
Só então tome as atitudes necessárias para corrigir os rumos, propor
mudanças e construir uma nova visão de futuro.
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